domingo, 23 de novembro de 2008

Como eu me sinto agora

Olhando o mundo pela janela, enquadrei pessoas ao que desejava. Toda dor e solidao que sentia, nada mais era, senao, o que eu mesma buscava. O medo era tao grande que me paralisava. Fazia procurar o errado disfarcado de certo, enquanto o certo, se vestia de errado.

Entao, quando abri os olhos, percebi que nao tinha mais casa. Vivia dentro de uma concha, que o mar levara para bem longe de um porto qualquer. O desespero tomou conta de meu corpo, que ja comecava a ter um duro brilho perolado. Assim, nao sentia mais o bonito balanco das ondas que me levavam. Foi quando me debati, sem sucesso a principio, mas me recusei a desistir. Havia finalmente acordado.

Avisto agora um barco, mas ainda nao sei a que porto chegar.

fotos e texto: Clarissa Magalhaes

Domingos de Chuva


Domingos de chuva me fazem ter vontade de ir a praia.

Tempo feio, mar com aviso de perigo...isso faz com que tudo fique mais interessante. Por que? Num domingo de chuva nao temos o vendedor de picole, nem o da empada. Nao tem aquele outro tambem, que eu nao lembro direito do que era, mas que da uns sustos do nada. Ah, lembrei...eh o do abacaxi.

Em domingos de chuva tambem nao tem gente na praia. Aquelas gentes (sic) irritantes de praia, sabe? Que falam sem parar, que riem como hienas felizes, mostrando os dentes, ou a falta deles. Nao tem crianca chata que chora pedindo um sei-la-o-que pra mae que, sem paciencia, tambem grita para que o muleque cale a boca. Alias, dois seres que deveriam ser proibidos do convivio social da areia sao as criancas e os cachorros, pois de sociaveis ambos nao tem nada. Alem disso, sao meros commodities, de nada contribuem com o meio. Cagam, fazem xixi e comem, nada alem disso. (Gente, eh so um humorzinho negro, nao me interpretem mal)

Domingos de chuva nao tem aquelas pessoas que vao para beira do mar, e fingem estar admirando a paisagem quando, na verdade, estao eh fazendo xixi. Nao tem aquelas sombrinhas ridiculas que, vistas de cima, parecem formar uma favelinha colorida.

Sei que, num domingo de chuva, tenho restricoes, pois nao posso nadar, nem usar um biquini, muito menos esperar "pegar uma cor". Mas me conformo com isso, afinal, quem sente falta de banhar-se em meio ao xixi alheio, fazer propaganda de pneu pra borracharia e ficar cheia de manchas e rugas? Mas posso, enfim, ouvir o barulho das ondas quebrando na areia vazia, como se so existissem eu e o mar.

foto e texto: Clarissa Magalhaes

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A maratona comeca e o primeiro que corre e o Tempo. Ele compete consigo mesmo, tenta quebrar seus proprios records. Enquanto percorre o caminho vai ultrapassando seus concorrentes.

A Preguica e a primeira a ser vencida, o Tempo passa por ela como se fosse um raio, desses que caem do ceu de vez em quando. Ela olha para ele por segundos e resolve desistir, ja que nao vai nunca alcanca-lo.

O segundo a ser ultrapassado e a Ansiedade. Ela imagina que a linha de chegada esta perto, mas ao nao conseguir ve-la, nao tem forcas pra continuar.

O terceiro e a Cobica, que ao ver o tempo em seu caminho, tenta desvia-lo em vao. Ela nao desiste, e o persegue pelo percurso.

A Inveja vem a seguir. Ela nao quer que o tempo a venca, tenta prejudica-lo, derruba-lo. Por um curto periodo ela segue no mesmo passo. Mas logo aparece um novo obstaculo, que nao era esperado. Entao, ela se da conta que nao pode com ele, que ele e mais poderoso e tenta virar sua amiga, para que possa prejudica-lo mais afrente, fazer com que ele confie e depois o destruir. Mas o Tempo percebe, ele parece bobo as vezes, mas corre como ninguem, nao se deixando desviar de seu caminho.

Agora o Tempo se sente forte, e o que a Arrogancia tenta fazer com ele. Mas a forca que a esta traz nao e boa. Ele se deixa enganar por instantes, achando ser superior aos outros concorrentes que passaram e a Inveja retorna a lideranca.

Mas o Universo conspira e a Inveja se transforma em Arrogancia, por liderar a corrida. Dai a ser derrubada pelo tempo foi uma questao de segundos. A Inveja nao ve os arredores, ela tem um so foco e nao percebe o resto. O Tempo e mais sagaz e nao deixa que nada passe sem o seu crivo.

A Ingenuidade e logo superada e a Beleza sofre um ataque cardiaco bem no final da corrida. Mas logo o Tempo descobre que a linha de chegada nao existe e pensa: qual o motivo de tanta pressa se nao vou chegar a lugar algum? Ele descobre que nao existe uma premiacao por ter vencido seus concorrentes e aprende que, na realidade, essa corrida era a Vida.

foto e texto: Clarissa Magalhaes

segunda-feira, 28 de julho de 2008


Vem ca? Me solta. Nao, nao. Me pega. Nao fala. Me irrita. Eu grito. Vc grita. Asfixia. Prazer? Nao, morte. Morte longa. Intenso. Espio teu olho. Ele grita. Labareda. Vai. Vem. Vai. Vem. Eu quero. Sem pressa. Sem amor. Sem carinho. Sem pudor. Vc gosta? Eu, nao. Pudica. Pudica, eu? Com dor. Por favor. Mais forte. Nao bate. Careta. Por cima. Espelho. Reflete. Remexe. Vai la. Vem ca. Varanda? Agora. Na mesa. Com pressa. Com dor. Com amor. Sem pudor. Eu vou. Vc vai? Sim, sim. Eu tambem. Amor.

foto e texto: Clarissa Magalhaes
foto do livro " Bettie Page by Olivia"

domingo, 25 de maio de 2008


A bebida deu o tom. Como sempre! Naquele momento, tudo o que queria era mais. Nao suportava ser rejeitada. Mas ja beirava a loucura e todos a sua volta percebiam isso, o que nao era nada agradavel, mas ela nao ligava. Naquele momento defendia a sua presa com unhas e dentes. Perdera o compasso, nao tinha mais nocao de tempo. Um dialogo simples, se tornara algo assustador, pois nao conseguia se concentrar para responder. Seu cerebro havia travado. Que vexame! Alguns tentaram ajudar, mas nao tinham forca suficiente para nao deixar que ela se afundasse em seu proprio orgulho. Defendia a idealizacao da situacao ate o fim, sem peceber que era a presa, ao inves da predadora, como pensara de inicio. Pensava ter poder, mas viu-se fraca diante de uma situacao que fugiu de seu controle. Mas era sempre assim: ela era dominada pela rejeicao, essa era sua mola propulsora. Ela gostava da infelicidade de seu ser. Mas a descoberta disso a fez perceber que tudo deveria ter um fim. Morte aos predadores!

foto e texto:Clarissa Magalhaes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Non, Je ne regrette rien...

Ainda bem que a vida muda. Ainda bem que o mundo gira. Ainda bem que, a cada dia que passa, eu aprendo a aceitar o diferente. Digo, diferente para mim, pq pra outro pode ser igual. E nao seria justamente essa a mágica da vida? Tudo muda de acordo com o ângulo em que se é visto. Incrível! Talvez, por isso, eu goste tanto de fotografia: tudo depende da lente, do ângulo, da rapidez do desparo...

Mas talvez o destino que escolhi seja o “não pertencer”. Não pertenço a lugar algum, nem lugar algum me pertence. Sou solta no mundo, como um pássaro. Não me prenda na gaiola, pois vou morrer se perder a capacidade de ser o que mais me faz feliz: LIVRE!

Já morri algumas vezes, pensando pertencer a alguém. Morri pra mim e vivi pro outro. Vida sem graça. Vida sem vida... Quando me libertei da gaiola, me enchi novamente, respirei e senti todo o gosto da liberdade. Percebi, então, que não poderia jamais ir embora e me deixar pra trás, me esquecer de quem sou.

Posso extrapolar, às vezes, mas acho que tudo se deve a essa ânsia que tenho de viver. Viver de verdade, pular, brincar, experimentar. Eu quero um dia diferente do outro, com novas expectativas e objetivos.

Já tentei me enquadrar. Já tentaram me enquadrar, por vezes. Meu sotaque me faz diferente, aqui, ali, ao norte, ao sul. Isso me incomodou um dia, mas não mais. Não vou ser igual a nada em que não acredite. Eu sou igual a mim mesma.

Eu quero amar. Porque o amor me faz sentir viva. Mas não um amor que me aprisione. Eu quero um amor que me dê asas pra voar, mesmo que esse vôo me leve pra longe. Que ele entenda que um passarinho sempre volta pro seu ninho. Quero ter aquele calor do início, se possível, a vida inteira. Quero sentir frio na barriga ao encontrar, quero sentir dor ao partir. Só assim pra valer a pena! Se não for possível pra mim, prefiro ter minha vida por inteiro e jamais repartí-la com alguém.


foto e texto: Clarissa Magalhaes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Retrospectiva 2007

Se esse ano tivesse um titulo na minha vida, esse seria NOMADE. Em 2007 morei em 4 cidades e em 3 paises diferentes. Se foi divertido? Em algumas horas sim, outras nem tanto. Perdi mtas coisas pelo caminho e não foram so as minhas calcinhas. Por vezes perdi o amor proprio, perdi o amor alheio, perdi o amor ao dinheiro, perdi o amor ao trabalho (esse acho q nunca tive!).

Comecei o ano na maior boite de Toronto, a The Guvernment, famosa pela máfia chinesa sempre presente, vendendo pastilhas coloridas e afins. Estava eu com um casal de amigos q so brigava (se casaram anteontem, by the way) e meu ex-namorado q implicava com o meu decote. Noite feliz, heim? Talvez isso tenha atrapalhado o meu ano, talvez não.
Comecei o ano como a Amélia-chifruda-feliz q, como toda chifruda-feliz e a ultima a saber. Mas parece q tudo na vida tem uma causa e uma conseqüência q sao como a terceira lei de Newton: Para toda força aplicada, existe outra de mesma proporcao, mesma direção e sentido oposto. Entao ja da pra imaginar o q aconteceu depois da descoberta dos 3 anos de galhos. Mas ja era tarde, nao dava pra revidar, tinha terminado ha 1 mes. Fui entao como uma linda alce para Barcelona, mas era Maio, nao Dezembro.

Achei q todos os homens haviam de pagar por causa de um que me fizera sofrer. Passei a nao acreditar mais em long-lasting relationships, mas em one-night-stands, dessa forma era impossivel sofrer, pensava eu. Mentira! A quem queria enganar? Foi so cair nos bracos de um lindo sueco para toda essa teoria ridicula cair por terra. Mas enfim, o sueco nao queria nada com uma chica q morava do outro lado do mundo. E toma, toma, toma na cara, chibata na lora. Mas, a vida continua, e essas nao poderiam ser as unicas decepcoes amorosas de um ano inteiro, isso seria mto monotono para a nossa heroina, e claro. Entao ela descobre, atraves desse maravilhoso veiculo de comunicacao, chamado orkut, q seu ex, apos somente 3 meses de termino, ja estaria namorando outra. Cool, eh?
Desembarquei entao no Brasil, apos 3 meses de mto sol e topless na Europa, chato, ne? Mas acho q ninguem devia ter inveja, pois nao foram tao felizes os meus dias, nem la, nem aki. Acho que, na verdade, qd me vi sozinha, nao soube o q fazer, acho q havia perdido um pouco da minha essencia namorando. Fazer o q? Aprender a viver de novo, a enfrentar meus obstaculos sem medo, sem esse medo ridiculo q venho sentindo de nao ser capaz. Por causa dele me apego a coisas e pessoas q sei q nao sao para mim.


Tenho medo de enfrentar um homem a minha altura, digo, com a mesma capacidade intelectual, sempre fujo deles. Mas, infelizmente, sei q so irei evoluir emocionalmente qd aceitar esse tipo de envolvimento. Dai la vou eu, sem lenco, nem documento, engatinhando para 2008, esperando q seja um ano menos sofrido e de mais conquistas do q foi 2007. Termino o ano assim: feliz pelo desapego, mas sozinha, ainda nomade e sem previsao de deixar de ser, afinal foi essa a vida q escolhi: Nao quero feijao com arroz, mas sim caviar e champagne!
fotos e texto: Clarissa Magalhaes