Ainda bem que a vida muda. Ainda bem que o mundo gira. Ainda bem que, a cada dia que passa, eu aprendo a aceitar o diferente. Digo, diferente para mim, pq pra outro pode ser igual. E nao seria justamente essa a mágica da vida? Tudo muda de acordo com o ângulo em que se é visto. Incrível! Talvez, por isso, eu goste tanto de fotografia: tudo depende da lente, do ângulo, da rapidez do desparo...Mas talvez o destino que escolhi seja o “não pertencer”. Não pertenço a lugar algum, nem lugar algum me pertence. Sou solta no mundo, como um pássaro. Não me prenda na gaiola, pois vou morrer se perder a capacidade de ser o que mais me faz feliz: LIVRE!
Já morri algumas vezes, pensando pertencer a alguém. Morri pra mim e vivi pro outro. Vida sem graça. Vida sem vida... Quando me libertei da gaiola, me enchi novamente, respirei e senti todo o gosto da liberdade. Percebi, então, que não poderia jamais ir embora e me deixar pra trás, me esquecer de quem sou.
Posso extrapolar, às vezes, mas acho que tudo se deve a essa ânsia que tenho de viver. Viver de verdade, pular, brincar, experimentar. Eu quero um dia diferente do outro, com novas expectativas e objetivos.
Já tentei me enquadrar. Já tentaram me enquadrar, por vezes. Meu sotaque me faz diferente, aqui, ali, ao norte, ao sul. Isso me incomodou um dia, mas não mais. Não vou ser igual a nada em que não acredite. Eu sou igual a mim mesma.
Eu quero amar. Porque o amor me faz sentir viva. Mas não um amor que me aprisione. Eu quero um amor que me dê asas pra voar, mesmo que esse vôo me leve pra longe. Que ele entenda que um passarinho sempre volta pro seu ninho. Quero ter aquele calor do início, se possível, a vida inteira. Quero sentir frio na barriga ao encontrar, quero sentir dor ao partir. Só assim pra valer a pena! Se não for possível pra mim, prefiro ter minha vida por inteiro e jamais repartí-la com alguém.
foto e texto: Clarissa Magalhaes



